quinta-feira, 21 de junho de 2007

Para "O Misericordioso"


Queria ser capaz de te pedir desculpas pelos sete anos que convivemos, mas não consigo.

O fato é simples: não me arrependo de ter começado. Não sinto culpa por ter ido embora.


Apenas deixei de te amar.


É, eu sei que você achava que seria pra vida toda. Confesso que também acreditei nisso.


Não sei exatamente como nem quando aconteceu, mas um dia olhei para você e vi a sua presença refletir o tédio em mim. Depois veio o vazio.


Era eu ou você. A briga era injusta...


Não, não foi egoísmo, foi sobrevivência.


Queria ter raiva de você por você ter raiva de mim, mas vejo que não teria o menor sentido.


Te amei muito, me dediquei mais do que deveria, e tive como legado a sua mágoa e rancor.


Não entendo, mas respeito.


Também não entendo o meu desamor.


Acho que, simplesmente, acontece...

Esquece nosso amor, vê se esquece
Porque tudo no mundo acontece
E acontece que já não sei mais amar
Vai chorar, vai sofrer
E você não merece
Mas isso acontece
Acontece que meu coração ficou frio
E nosso ninho de amor está vazio
Se eu ainda pudesse fingir que te amo
Ai, se eu pudesse
Mas não quero, não devo fazê-lo
Isso não acontece

Acontece - Cartola

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Hoje é o seu dia!!



Outro dia conheci uma menina.

Ela esteve sempre ali...

Achava legal, inteligente, mesmo não tendo intimidades. Simplesmente ela não me dava ousadia.

Um belo dia se descuidou... e agora tem a vida inteira pra se arrepender...

Ou não!!

Vimos que temos mais em comum do que imaginávamos. Virei sua assessora para assuntos amorosos, digitais e afins (assuntos diversos, como ela chama).

Ela virou uma amiga e um motivo de grande alegria em meio a tantas pessoas desprezíveis que nos cercam diariamente.

Meio lerdinha, as vezes, sempre digo que quanto mais eu ensino menos ela aprende.

Mas a verdade é que eu acho divertidíssimas todas as suas indagações, inclusive suas consultorias históricas:

-Ok. Agora vamos falar sobre a causa judaica.

- Causa judaica?!?! Mas hoje é sexta-feira!!

Ou então:

-Não entendi aquela frase no começo do documentário "O historiador é o rei, Freud é a rainha" O que siginifica?

-Ok, ok, pára tudo!! Como assim?!?! Estamos numa mesa de bar, porra! Depois explico.

Mas não tem saída... Ela não sabe, mas sou extremamente sensível ao seu jeito, digamos, meio sem noção...

Sempre digo para as outras pessoas que sou apaixonada por ela (no bom sentido, vale ressaltar).

Em breve faremos um curso de Kimbundu e um dia moraremos em Angola (vamos cuidar dos desvalidos, aplacar a fome e erradicar todas as doenças, são seus planos).

Sim, antes que alguém se pergunte, ela realmente acredita nisso...

Louca por chocolate, já virou obrigação compartilhar minha barra de Talento toda sexta-feira.

Como uma boa geminiana, tenho que aturar seus ciumes. Até que não são muitos... Confesso que acho bonitinho.

Confunde todos os ditos populares e letras de música.

- Os homens não choram... Ou seriam as rosas?!?

- Não, Thai... Meninos não choram, segundo o filme, e as rosas não falam, segundo Cartola

- Ah eh!

E assim por diante... Já me acostumei.

Enfim, a questão é que hoje é aniversário dela. Dois patinhos na lagoa...

Thai, só queria dizer que estou feliz por compartilhar esse momento de sua vida, me sinto realmente privilegiada por merecer sua atenção e carinho.

Te desejo toda a felicidade do mundo!!

Espero fazer parte desse seu universo encantador e poder sempre compartilhar suas alegrias e angústias com o mesmo empenho e dedicação.

Parabéns, amiga!!


Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece....
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.

Soneto de Aniversário - Vinicius de Moraes

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Saudades daquela que era sempre chamada de "minha". Hard Times...


A saudade chega sem aviso

De repente me vejo em posição fetal, chorando

Um choro doído que parece lutar para sair

Não, não luto contra

Aguardo anestesiada que ele cumpra sua missão

Depois ele vai embora, me deixando enebriada

E mais sozinha do que nunca...

Ele vai, zombando de mim

Quase posso ouvir o seu riso

Olho para a janela e vejo o sol; a vida batendo em minha cara

Olho pro espelho e vejo meu rosto manchado de lágrimas

Uma imagem há muito esquecida...

terça-feira, 12 de junho de 2007

Dori, a Dandalunda

Essa é Doroteia. Ganhei de uma amiga.

Ela me ajuda, com transmissões mediúnicas de pensamento, a fazer as transcrições paleográficas (esse é do sec. XVIII - minha paixão) ao som de Ray Charles (you know the night time, darling/is the right time/to be/whit the one you love now - inspirador...) e ao lado da minha inseparável garrafinha de água.
Valeu pela força, Dori.




segunda-feira, 11 de junho de 2007

Para ele




Eu tenho um vício. Confesso.

Esse vício tem nome, cor, cheiro...

Sou extremamente dependente das suas demonstrações de afeto.

Necessito de todos os seus apelos para ter a minha presença.

Ele é a minha droga, consumida sem restrições.

Overdose...

Noites mal dormidas, conversas enebriantes e saudades atenuadas.

Saudade do pouco que temos e das pouquíssimas vezes que nos vimos.

Saudade dos abraços prometidos e dos carinhos desejados.

Saudade do que nunca tivemos...

Minha droga.

Minha dose diária de morfina.

Sua voz; hora do dia em que respiro.

Seu toque; algum dia em que me perderei...

Meu ácido.

Um dia desses fico sem veias.


"Tu me levaste, eu fui... Na treva, ousados

Amamos, vagamente surpreendidos

Pelo ardor com que estávamos unidos

Nós que andávamos sempre separados
. "

Vinicius de Moraes.





Meu querido, obrigada por sua amizade e pelo nosso amor impossível.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Fluxo e refluxo da maré




Jantar: cerveja, conhaque e hi-fi

Café da manhã: aspirina

A vida é dura...

segunda-feira, 4 de junho de 2007

A Queda


Esse meu imenso anseio de tudo sempre me condena à solidão.

Preciso me importar mais com os sentimentos alheios.

Erros. Muitos erros e apenas uma consciência capenga de atos impensados.

Talvez nem tão impensados, mas carregados de um desejo mórbido.

E ainda recebo aplausos de quem, no fundo, acha que a minha falta de sutileza é um prêmio para curar suas frustrações, decepções, amarguras e mais uma gama de sentimentos menos nobres.

Eu e minha sinceridade...

Não somos exemplo pra ninguém.

Sinto que estou perdendo a delicadeza.

Mas a verdade é que estou cansada de tanta mediocridade ao meu redor.

Doses diárias de banalidades, aplicadas na veia.

Me sinto entorpecida com tanta falta de criatividade.

Preciso respirar.


"Nada como um sorriso burro e paranóico para não perceber a velocidade terrível da queda."
Lobão.